No final de 2014, existiam 1970 doentes a aguardar por cirurgia. Subida de casos relacionado com a decisão de se querer fazer transplantes mais cedo, evitando diálise.

O número de novos doentes em lista de espera por um rim quase duplicou no ano passado. Segundo a Newsletter Transplant de 2015, que analisa a atividade da transplantação em todo o mundo, em 2014 foram colocadas em lista de espera pela primeira vez 609 doentes (no total são 1970), quando em 2013 tinham sido 320. Uma subida de necessidades que fez aumentar também o número de pessoas em diálise (12 085 no ano passado). Ana França, coordenadora nacional da transplantação do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), explicou ao DN que há um aumento de doentes com insuficiência renal, mas também “se tem procurado incluir mais cedo os doentes em lista de espera”.

“Portugal, a par da Turquia, é o país que tem o maior índice de novos doentes. Talvez devido à dieta pouco restritiva em sal e à falta de prevenção.” A diabetes, que está muito associada à insuficiência renal, também afeta um número recorde de portugueses. O envelhecimento da população motiva esta subida de doentes e de necessidades, mas Ana França acredita que as alterações nos critérios para transplante também foram responsáveis pela duplicação de doentes.

“Hoje, o doente que entra em diálise tem indicação para entrar logo em lista, porque há um alerta para incluir logo. Pretende-se transplantar o mais cedo possível e evitar que se percam oportunidades. Além disso, sabe-se que há mais vantagens até em transplantar antes de se iniciar a diálise”, sublinhou a responsável. Em 2014, estavam a fazer diálise 12 085 doentes crónicos, tendo havido mais 374 utentes do que os 11 709 de 2013. Ainda assim, a lista de espera global para transplante no final do ano aumentou apenas em 60 doentes, de 1910 para 1970. “Muito devido à idade, porque têm infeções ou complicações e acabam por ir saindo da lista de forma temporária. Outros nem sequer são elegíveis para o transplante.”

A newsletter do Conselho da Europa coloca Portugal em quarto lugar na colheita de órgãos e em décimo na transplantação, longe dos máximos atingidos em 2009, mas ainda assim revela uma melhoria em relação a 2011 e 2012. Neste ano, morreram 81 doentes que estavam à espera (43 de rim), embora muitas vezes por outras razões. A área renal depara-se com vários problemas. Além do aumento de doentes, há um menor aproveitamento dos órgãos colhidos, por terem hoje menos qualidade.